Bike é bom pra cuca

Quando beirava os 40 anos, Teresa D’Aprile trocou o marido por uma bike e um emprego. A década era de 80. O país era Brasil. Mulher, meia idade, solteirona e pedalando por aí com os cabelos ao vento? Um horror, gente.

Ela nem sabia exatamente porque resolveu comprar aquela magrela. Aquilo não tinha nada a ver com Teresa. Mas não só comprou, como acabou indo trabalhar em uma loja de bicicletas.

A garotada entrava, corria os olhos por aquela senhora e ficava esperando aparecer o vendedor. Aí ela dava bom dia e perguntava o que eles procuravam. Uma bike nova? Chega mais, vou te mostrar uma que é do caralho! Olhos arregalados, cheque assinado, bike vendida.

Essa coisa de bicicleta até que é interessante, começou a pensar Teresa. Acabou se inscrevendo, de brincadeirinha, em uma competição de Mountain Bike. 50 km de poeira e pista irregular. Homem pra todo lado. E Teresa. O que essa velha tá fazendo aqui?, diziam os olhares. Nem ela sabia.

Na primeira subida, ufa, acho que vou empurrando. 1h depois, o primeiro lugar completava a prova. 4h mais tarde, Teresa persistia, xingando deus, o mundo e a bike. O carro de apoio insistia na carona, e ela mandava ele procurar sua turma. Chegou, enfim. Os olhos embotados em suor e lágrimas.

Epifania: se era capaz de fazer aquela maluquice, podia fazer o que mais quisesse na vida. Inclusive passar por cima daquele preconceito chatérrimo de que ela, mulher, coroa e ciclista, não podia ser uma ciclista mulher e coroa.

Reuniu umas amigas que também curtiam um pedal – e que recebiam os mesmos olhares de reprovação quando estavam sobre duas rodas – e criaram o ‘Saia na Noite’, um grupo de moças que saíam juntas à noite para pedalar. Isso ainda era década de 90. Ainda era Brasil. E ainda era um horror.

Mas elas seguiram em frente, saias e cabelos ao vento. Hoje Teresa tem 65 anos. O Saia na Noite, 22 aninhos. De lá pra cá, o preconceito mudou. Teresa, suas amigas e as centenas de mulheres que aderiram ao grupo também: mudaram bastante. “A bike não serve só pra pedalar: ela melhora muito a cuca”, garante a sábia Teresa.

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